Com passagem pela televisão e pelo rádio, jornalista construiu carreira marcada pela cobertura do cotidiano de Ponta Porã e, agora, amplia sua atuação no digital ao contar histórias de uma das regiões mais singulares do país
Há lugares que não podem ser compreendidos apenas por mapas. A fronteira entre Brasil e Paraguai é um deles. Ali, cidades, culturas, sotaques, negócios e histórias se encontram diariamente, produzindo uma realidade própria e foi nesse cenário que Martim Andrada construiu boa parte de sua trajetória profissional.
Com experiência no jornalismo televisivo e no rádio, Martim se tornou uma figura conhecida na comunicação de Mato Grosso do Sul, especialmente em Ponta Porã e na região de fronteira. Ao longo dos anos, esteve diante de acontecimentos que ajudaram a contar a história cotidiana de uma das áreas mais movimentadas e particulares do país.
Sua trajetória inclui passagem pela TV Morena, onde atuou na cobertura jornalística da região, além de trabalhos como correspondente da CBN. A rotina de reportagem o levou para além dos estúdios: ruas, comunidades, ocorrências policiais, fenômenos climáticos, questões urbanas e acontecimentos que afetavam diretamente a população passaram a fazer parte de seu repertório profissional.
O jornalismo como experiência de território
O trabalho de Martim ganhou características próprias justamente pela proximidade com a fronteira. Ponta Porã não é apenas o cenário de suas reportagens, mas um território que ele aprendeu a interpretar a partir da experiência cotidiana.
Em 2025, sua assinatura apareceu em reportagens publicadas pelo Primeira Página, abordando temas de grande repercussão regional. Entre elas esteve a cobertura da fuga de um detento do presídio de Ponta Porã e outra reportagem sobre a reconstrução do muro da Penitenciária Ricardo Brandão, destruído após fortes chuvas.
São exemplos de uma carreira construída na linha de frente da informação, onde a notícia não chega pronta: precisa ser apurada, contextualizada e transformada em narrativa compreensível para o público.
Essa experiência também o colocou diante de coberturas de diferentes naturezas, da segurança pública à economia, passando pelos acontecimentos que movimentam o cotidiano das cidades fronteiriças.
Da televisão às novas plataformas

A comunicação, entretanto, mudou e Martim acompanhou essa transformação.
Nos últimos anos, o jornalista passou a ampliar sua presença no ambiente digital, aproximando o conhecimento adquirido durante décadas de reportagem de uma linguagem mais direta e dinâmica, característica das redes sociais.
No Instagram, onde reúne uma audiência de dezenas de milhares de seguidores, apresenta-se como criador de conteúdo digital e concentra sua produção nas histórias da fronteira Brasil–Paraguai.
A proposta é simples na forma, mas ampla no conteúdo: mostrar uma região que muitas vezes é conhecida apenas pelo comércio de fronteira, revelando também seus personagens, costumes, oportunidades, curiosidades e particularidades.
É uma mudança de plataforma, mas não necessariamente de essência.
O olhar continua sendo o de quem conhece o território e sabe que, por trás de cada endereço, estabelecimento ou acontecimento, existe uma história capaz de despertar a atenção do público.
Uma fronteira sem porteiras
A própria descrição utilizada por Martim em suas redes sociais resume o posicionamento dessa nova fase: contar histórias de uma “fronteira brasiguaia sem porteira”.
A expressão ajuda a explicar a identidade construída em torno de seu conteúdo.
Brasil e Paraguai, naquela região, não são realidades completamente separadas. Existe uma circulação permanente de pessoas, produtos, culturas e experiências. É justamente essa dinâmica que passou a ocupar espaço central em sua produção digital.
O conteúdo também dialoga com o forte movimento comercial da fronteira. Em 2025, Martim esteve entre os profissionais que produziram conteúdo jornalístico sobre eventos que movimentaram o comércio local, como a Black Friday Fronteira, que reuniu milhares de pessoas e teve impacto expressivo na economia regional.
O reconhecimento de Ponta Porã
A relação construída com a cidade ganhou também um reconhecimento institucional.
Em novembro de 2025, a Câmara Municipal de Ponta Porã aprovou o Projeto de Decreto Legislativo nº 98/2025, que concedeu a Martim Andrada a Medalha do Mérito Legislativo. A homenagem foi posteriormente formalizada pelo Decreto Legislativo nº 98, de 25 de novembro de 2025.
A distinção acrescenta um capítulo relevante à trajetória do comunicador. Mais do que um reconhecimento profissional, a homenagem registra institucionalmente a importância de sua atuação para a comunidade que durante anos foi objeto de seu trabalho jornalístico.
O desafio de continuar contando histórias
A passagem do jornalismo tradicional para o ambiente digital representa, para Martim, menos uma ruptura do que uma ampliação de possibilidades.
Na televisão, o repórter depende de uma estrutura de produção, de uma programação e de um espaço determinado para apresentar sua narrativa. Nas redes, as possibilidades são diferentes: o comunicador pode escolher os temas, estabelecer sua própria linguagem e conversar diretamente com quem acompanha seu trabalho.
É nesse espaço que Martim vem construindo uma nova etapa de sua carreira.
A experiência acumulada diante das câmeras agora encontra um ambiente em que a velocidade da informação se mistura à espontaneidade das redes sociais. O resultado é uma comunicação que preserva a familiaridade com o jornalismo, mas incorpora ferramentas e formatos próprios da era digital.
Um profissional moldado pela fronteira
A história profissional de Martim Andrada se confunde, em muitos aspectos, com a própria história recente da comunicação na fronteira sul de Mato Grosso do Sul.
Repórter, comunicador e hoje também criador de conteúdo, ele passou anos acompanhando de perto acontecimentos que atravessaram a vida de Ponta Porã e das cidades vizinhas.
Agora, em uma nova fase, continua fazendo aquilo que esteve no centro de sua carreira: encontrar histórias onde outras pessoas enxergam apenas acontecimentos cotidianos.
A diferença é que, se antes essas histórias chegavam ao público principalmente pela televisão e pelo rádio, hoje elas também encontram nas redes sociais uma audiência própria.
E talvez esteja justamente aí o principal capítulo da trajetória de Martim Andrada: não abandonar o jornalismo, mas levar para um novo território a experiência de quem aprendeu a contar histórias vivendo a fronteira por dentro.






