Conhecido como Pokas, influenciador, empresário e fisioterapeuta construiu uma trajetória marcada pelo entretenimento, pelas viagens e pela criação de projetos que aproximam audiência, marcas e experiências
A influência digital deixou de ser apenas uma atividade ligada às redes sociais. Em um mercado cada vez mais profissionalizado, criadores de conteúdo passaram a transformar audiência em projetos, negócios e novas formas de comunicação. Em Sergipe, Carlos Maynard, conhecido como Pokas, é um dos nomes que representam essa mudança.
Natural de Aracaju, Carlos reúne diferentes frentes profissionais. É apresentado publicamente como fisioterapeuta, empresário e influenciador digital e ganhou notoriedade principalmente pelo conteúdo produzido nas redes sociais, pelas viagens e pelo projeto Pokabas, desenvolvido ao lado de Agamenon Filho, o Agabas.
Sua trajetória, porém, não se resume ao número de seguidores. O que chama atenção é a maneira como Pokas transformou experiências pessoais em produtos de comunicação capazes de mobilizar público, parceiros e marcas.
Quando uma amizade virou projeto
A história do Pokabas começou a ganhar uma dimensão maior durante a Copa do Mundo de 2022, no Catar.
Carlos Maynard e Agabas viajaram para Doha com a proposta de mostrar ao público aquilo que normalmente ficava fora das transmissões tradicionais: os bastidores, as experiências dos torcedores, a cultura local e os acontecimentos que cercavam o Mundial.
O resultado foi um conteúdo marcado pela espontaneidade e pela proximidade com os seguidores. A dupla criou quadros, entrevistas e desafios e chegou a mobilizar a audiência em ações envolvendo pequenos estabelecimentos locais. Em uma dessas iniciativas, os seguidores ajudaram uma lanchonete de Doha a aumentar rapidamente sua quantidade de seguidores.
A experiência mostrou que havia algo maior por trás da produção de conteúdo: uma comunidade disposta a acompanhar não apenas as publicações, mas as próprias experiências vividas pelos criadores.
O entretenimento como modelo de negócio
A partir daí, o Pokabas passou a ganhar características de uma marca de comunicação.
Ao longo dos anos, Carlos Maynard e Agabas desenvolveram projetos envolvendo entretenimento, viagens, música e transmissões digitais. Em 2021, por exemplo, os dois já realizavam eventos como a Live Pokabas Fest, reunindo artistas sergipanos em uma programação transmitida pela internet.
O movimento representa uma transformação importante na carreira de influenciadores.
Em vez de depender exclusivamente de publicações patrocinadas, o criador passa a construir propriedades próprias: programas, canais, eventos, produtos e plataformas.
É um modelo no qual a audiência deixa de ser apenas um indicador de alcance e passa a fazer parte da própria estrutura do negócio.
Uma identidade sergipana que atravessa fronteiras
Um dos elementos mais marcantes da trajetória de Pokas é a relação com Sergipe.
Desde os primeiros projetos, a dupla utilizou referências locais, humor e características da cultura sergipana para construir sua comunicação. Durante a Copa do Catar, por exemplo, a bandeira de Sergipe acompanhou os influenciadores em diferentes momentos da viagem.
Essa identidade também aparece na maneira como o projeto se posiciona fora do Estado.
Ao produzir conteúdo em outros países sem abandonar suas referências de origem, Carlos Maynard ajuda a levar um pouco de Sergipe para públicos que talvez nunca tivessem contato com aquela realidade.
É uma forma contemporânea de representação regional: não necessariamente por meio de campanhas institucionais, mas pela experiência cotidiana de quem viaja, produz e compartilha histórias.
A influência que mobiliza pessoas
A atuação de Pokas também encontrou espaço em iniciativas de caráter social.
Em 2025, Carlos promoveu uma nova campanha de doação de sangue em Aracaju. Segundo reportagem publicada na época, aquela era a quarta iniciativa organizada pelo influenciador, reunindo dezenas de pessoas em torno da causa.
O episódio mostra outra dimensão da influência digital.
Quando uma pessoa constrói uma comunidade em torno de seu conteúdo, essa audiência também pode ser mobilizada para objetivos que ultrapassam o entretenimento.
Nesse caso, as redes sociais funcionaram como ferramenta de conscientização e mobilização.
A expansão do Pokabas

O projeto atualmente possui uma estrutura própria de conteúdo, reunindo vídeos, bastidores, blog, fotografias, produtos e outras iniciativas dentro do PokabasTV. O site oficial apresenta o projeto como um espaço que reúne conteúdos produzidos por Carlos Maynard, Agabas e pela própria marca.
A evolução é significativa quando comparada ao início do projeto.
O que começou como uma maneira de registrar uma viagem entre amigos tornou-se uma marca de comunicação com diferentes frentes de atuação.
Essa transformação acompanha uma tendência observada em todo o mercado: criadores de conteúdo passaram a construir seus próprios ecossistemas, reduzindo a dependência de uma única plataforma.
Da internet para grandes eventos
A Copa do Mundo de 2026 levou esse modelo a uma escala ainda maior.
Carlos Maynard e Agabas participaram de uma operação de conteúdo durante o Mundial, com equipe formada por profissionais de vídeo, fotografia, edição, produção e mídias sociais. O projeto também contou com patrocinadores e presença em diferentes plataformas digitais.
A proposta era diferente de uma cobertura esportiva tradicional.
Em vez de competir com emissoras pela transmissão dos jogos, o projeto procurou mostrar a experiência ao redor deles: torcedores, viagens, entrevistas, bastidores e situações vividas durante a competição.
Durante o Mundial, a dupla também acompanhou presencialmente a estreia da Seleção Brasileira contra Marrocos e transformou a experiência no estádio em conteúdo para seus seguidores.
Um novo momento para o influenciador
A trajetória de Carlos Maynard ajuda a explicar como o mercado de influência mudou nos últimos anos.
No início, um vídeo viral ou uma publicação com grande alcance podia ser suficiente para colocar um criador em evidência. Hoje, a permanência nesse mercado exige planejamento, capacidade empresarial e construção de marcas próprias.
Pokas parece ter seguido justamente esse caminho.
Sua presença digital passou a estar associada não apenas ao personagem diante das câmeras, mas também a projetos, eventos, viagens, produtos e iniciativas comerciais.
É essa combinação que transforma o influenciador em empreendedor de conteúdo.
Mais do que números
Com uma audiência expressiva nas redes sociais, Carlos Maynard poderia ser definido apenas pelos números alcançados na internet. Mas sua trajetória conta uma história mais ampla.
Ele representa uma geração de profissionais que encontrou nas redes sociais uma porta de entrada para o entretenimento e, posteriormente, transformou essa exposição em novas possibilidades de negócio.
A relevância de Pokas está justamente nessa capacidade de construir pontes: entre Sergipe e outros lugares do mundo, entre entretenimento e empreendedorismo, entre audiência e experiência.
No fim, sua história mostra que influência digital não precisa terminar na tela de um celular.
Quando existe estratégia, identidade e capacidade de construir uma comunidade, uma conta nas redes sociais pode se transformar em uma marca, uma empresa e até em uma plataforma capaz de levar histórias de um estado pequeno para públicos espalhados pelo mundo.
E é nesse espaço, entre a vida real e o universo digital, que Carlos Maynard, o Pokas, vem construindo sua trajetória.






